As decepções me ensinaram a racionalizar alguns sentimentos e criar uma barreira de proteção em torno de mim mesma. É como se eu vivesse com um escudo anti-sentimentalismo que me impede de me abrir espontaneamente.
Sair da zona de conforto tornou-se uma tarefa muito cansativa. Não me sinto mais disposta a sentir aqueles nós na garganta ou o coração apertar, que são sintomas típicos de relacionamentos inseguros, os efeitos colaterais do apego.
Na hora que surge a possibilidade, bate medo de errar, de cair, machucar, de me entregar à toa, de quebrar a cara mais uma vez, outra vez. E esse é o preço que se paga quando se sente demais por quem se interessa pouco ou quase nada.
Com o tempo me fortaleci para todos os tipos de obstáculos que vida possa me impor, mas em contrapartida me tornei uma "frouxa" pro amor.
No sentido figurado da coisa, funciona assim: eu tenho medo de altura, mas não exatamente da distância entre o penhasco e o chão, e sim da possível queda e do impacto que ela vai me causar. Compreensível agora?
Durante esse tempo e daqui de trás da minha barreira, até enxerguei algumas possibilidades e possíveis pessoas que poderiam ter valido a pena insistir. Mas no fim das contas eu crio mais motivos para o "não" do que para o "sim".
Com o tempo acabei me tornando uma pessoa muito prática, partindo sempre dessa premissa: se der certo, ótimo! Se não, pago até seu Uber pra você ir embora da minha vida. O jogo continua, segue o baile.
Não vou mentir, às vezes caio em contradição e me pego pensando: e se der certo?
E sigo, dia após dia compreendendo que não tem como calcular tudo na vida. Sempre vai haver uma margem de erro e talvez a solução seja mesmo pagar pra ver, ter coragem e sair dessas relações mediocremente superficiais.
Talvez valha a pena quebrar a barreira, sair da bolha, abrir a porta, encarar o medo. Porque afinal, somos feitos de instantes e de nada vale estar vivo se não for com toda a plenitude de ser e sentir. E segue o baile!

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